Festa tem debate com intelectuais regado a uísque

do Guia Folha

A festa Cabaret Revoltaire, que mistura performances artísticas variadas com balada, ganha na edição desta terça-feira (13) o “5 contra 1”, em que escritores, desenhistas, estudiosos de cabala, músicos e outros artistas debatem sobre algum tema enquanto “enfrentam” uma garrafa de uísque. Na estreia, estarão presentes o cartunista da Folha Caco Galhardo e os escritores Luiz Roberto Guedes, Márcio Américo (mediador da vez) e Marcelo Mirisola, idealizador do debate informal.

A ideia, segundo Mirisola, já existia há algum tempo: “Quando fui na edição passada da festa (Cabaret Revoltaire) vi que ali tinha um cantinho que seria perfeito, falei com a Isadora Krieger [criadora da festa com Daniel Minchoni] e ela topou”. O tema de discussão é livre e deve partir de algum assunto proposto pelo mediador, Márcio Américo. “Eu não sei bem o que vai acontecer, a gente vai chegar lá, beber uma garrafa de uísque e conversar. Uns amigos meus irão gravar e devemos postar depois em algum lugar. Eu ainda não sei. Amanhã será uma espécie de programa piloto”, disse Mirisola.

Caco Galhardo, que já comandou ao lado do escritor Reinaldo Moraes e da produtora Ana Pands o podcast “Fogo no rádio”, em que os três mais um convidado discorriam sobre um determinado tema enquanto bebiam, disse também não saber ao certo o que vai acontecer: “Tem vários escritores, e a conversa deve girar em torno de literatura, mas será descontraído e feito na base do improviso”. Para Galhardo, os melhores lugares para “boemia intelectual” são Mercearia São Pedro e a praça Roosevelt.

Além do “5 contra 1”, a noite terá também os poetas Renan Nuernberger e Pedro Tostes, a dançarina Karina Raquel, também conhecida como Fascinatrix, o artista plástico Maurício Eloy, a cantora Érica Alves, que se apresentará junto do DJ Pedro Zopelar e do marionetista e ator Rafael Liedens. Para encerrar a noite, Isadora Krieger e Gláucia ++ assumem os pick-ups com tango, bolero, samba, MPB e rock.

A Cabaret Revoltaire ocorre quinzenalmente no Beat Club (centro de São Paulo), a partir das 21h. Até as 23h, a entrada é gratuita —após esse horário, será cobrado R$ 10 (entrada) ou R$ 20 (consumação).

DJ Julião celebra 20 anos de pista com festa de 25 horas

do Guia Folha

O DJ Julião completa 40 anos, 20 deles discotecando. Para celebrar a data, Julião preparou uma festa com 25 horas de duração, dez delas com o aniversariante no comando dos pick-ups. A comemoração, que ocorre no Anti-Social Club (centro de São Paulo), começa neste sábado (17), às 23h, e segue até as 24h do domingo (18).

Ao lado de Julião, tocam Gláucia ++, Mau Mau, Marky, Pil Marques, Andy e o DJ Godfather, de Detroit, entre outros. Para saber mais da festa e dos 20 anos de carreira, o Guia bateu um papo com o DJ.

Guia Folha - Como e quando você começou a tocar?
DJ Julião - Como eu já era alto e aparentava ser mais velho, com 15 anos eu ia a festas no Rose Bombom e no Madame Satã. Aos 18, tocava em festinhas de aniversário, essas coisas. Então um amigo meu que era dono de uma loja de discos importados resolveu abrir uma casa noturna, a Sound Factory da Penha (zona leste de São Paulo). E eu, com 20 anos, comecei, ao lado do Marky, como residente da Sound Factory em 91 tocando coisas mais undergrounds, como hardcore e jungle.

Você acha que o contexto econômico e político influiu para o crescimento da cena clubber? Já que Berlim se tornou uma referência após a queda do muro. E em São Paulo, a cena clubber teve mais força na época do Collor?
Pode ser, mas não creio muito nisso hoje em dia. Na época do Sound Factory, a gente levava uma música para periferia, independente de classe social ou coisa do tipo. Como não havia internet, o jeito de se informar e descobrir coisas novas de fora do país era lendo revistas como “I-D”, “Melody Maker” e “Mixmag”. Eu acho que [a popularização da música eletrônica] depende da informação chegando aos locais. Eu tentava passar essa informação pela música e funcionava bem.

Como você vê a música eletrônica hoje?
Está bem mais popular. A música eletrônica, pode-se dizer, se tornou popular. Hoje você vê a mistura dela com vários ritmos como o rock.

Hoje tem bastante festa, dentro da cidade, que ocorre fora de clubes…
Na verdade, sempre aconteceu, eu já toquei em vários lugares como praia, sítio, galpão abandonado, cinema desativado. É uma forma de levar a música eletrônica para outros ares, e não ficar só naquela coisa de clube, clube, clube. Eu acho bacana.

Nessas duas décadas como DJ, que artistas você acha que se tornaram símbolo de seu tempo?
Os anos 1990 tiveram vários, como Altern 8, The Prodigy, Bizarre Inc. e Moby, que foram importantes na época do surgimento das raves. E, na última década, teve The Prodigy, que continuou relevante, The Orbital e vários DJs, como Jamie Jones, entre outros.

O que pode se esperar para sábado e domingo?
Eu sempre comemorei meu aniversário com festas de dois, três dias. A desse ano está até pequena [risos], mas com um “line-up” selecionado a dedo, incluindo o Godfather, de Detroit, que é dono de um selo, o Databass Records, pelo qual eu já lancei um EP. Eu faço um set de dez horas e devo tocar desde coisas que me marcaram em 91 até os dias de hoje, mas sem seguir uma ordem cronológica.

E da produção atual, o mais te agrada?
Eu gosto muito de Lee Foss, Jamie Jones, Anja Schneider, tem muito DJ bacana.

ricardo kauffman e o abraço corporativo

Documentário que recebeu menção honrosa na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, discute como a informação é veiculada e consumida hoje

*Esta entrevista contém spoilers

 Ary Itnem, consultor de RH cujo nome é quase um anagrama de mentira, ingressou no Youtube no dia 11 de outubro de 2006. Dois dias depois postou um vídeo que virou febre e notícia. O vídeo que teve quase 700.000 exibições é uma cópia de outro viral da internet, o Free Hugs em que um rapaz segurando um cartaz escrito Free Hugs (abraços grátis) sai pelas ruas distribuindo abraços para quem quiser. Com sua versão, Itnem alcançou espaço na mídia e introduziu no Brasil a teoria do abraço corporativo. Ricardo Kauffman, que segundo o Internet Movie Database teve como única incursão no cinema o trabalho de pesquisador para o longa “Chega de Saudade”, se interessou pela história de Ary e resolveu filmá-la, o que resultou no documentário “O Abraço corporativo”.

 Essa pode parecer mais uma história de alguém que fez sucesso com auto-ajuda. Mas é aí que todos fomos enganados. Kauffman é jornalista e irmão do ator que interpretou Ary Itnem. E o documentário, que recebeu menção honrosa na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, coloca em xeque a forma como a informação é veiculada e consumida atualmente.

 O Synthorchestra conversou com o diretor após uma sessão do longa no MIS (Museu da Imagem e do Som)

 A transmissão radiôfonica de Guerra dos mundos feita por Orson Welles causou pânico . Ele também fez o documentário F For Fake que explora essa questão de como as pessoas aceitam uma informação como verdadeira sem muito esforço. Welles sempre se interessou por esse assunto e sempre conseguiu pregar peças nas pessoas. O que muda com as novas tecnologias?

 Interfere muito. Melhora em certos aspectos e piora em outros. Piora na questão da velocidade. A velocidade implica escolhas. Eu to falando de noticias. O filme cita a história de um avião que caiu em Congonhas, mas o avião não tinha caído era um incêndio numa fábrica de colchões. Com as novas tecnologias cria-se uma nova situação, o jornalista fica sem saber se publica ou não publica pois não tem mais tempo para apurar.

 A culpa é só da mídia ou o cidadão também precisa se reeducar para consumir informação?

 Eu não vejo culpa de ninguém. Estamos numa situação nova, e ninguém sabe o que fazer diante de uma situação nova, nem o os jornalistas nem os blogueiros. É como se fazia televisão no começo da televisão. Não dá para você saber tudo no começo de uma nova mídia, então ninguém tem culpa de nada porque ninguém sabe como fazer. Uma parte do público tem dificuldade, não sabe como consumir. Outra parte prefere a mídia como é hoje e como vai ser com o aumento da interatividade e a convergência digital, quando não tiver diferença entre TV, internet e rádio.

 Algumas coisas são da esfera da credibilidade das informações, outras do processo produtivo. Você utiliza vídeos do Youtube no flime. Se eu tivesse feito um vídeo que fosse uma farsa, você poderia ter contado a minha história?

 Pelo que eu entendi da sua pergunta é o que o Contardo Caligaris fala no filme. Talvez exista o sofisticado que separa o que pega e o que não pega, independente de ser verdade ou mentira. O filme lançou mão de uma estratégia bem simplória de pegar carona no sucesso de um site (youtube) e de um vídeo (free hugs). Se eu falar “Olha, eu to trazendo a onda do abraço grátis que é sucesso lá fora” a mídia vai gostar disso, vai publicar a matéria, e foi assim que aconteceu.

 Você tinha uma tese de que as pessoas iriam comprar sua história…

 Esse filme veio de discussões com amigos. Eu dizia que a mídia pública qualquer coisa, e outros diziam que não é bem assim. Então eu resolvi parar de discutir e fazer o filme. E eu gosto muito de documentário que se lança sem saber no que vai dar, acho que é uma vantagem em relação com a ficção.

 Você teria continuado o documentário se algum jornalista tivesse descoberto?

 Teve um jornalista que não quis publicar a reportagem porque achou a história fraca e teve outro que desistiu de publicar. Mas essa questão sempre esteve presente. E se niguém publicar? E se descobrirem? E a minha posição sempre foi de continuar filmando e discutindo. Algumas coisas mudariam no filme outras não.

 Tem alguns casos famosos. O Boimate da Veja , O Escola base…

 O caso Escola Base eu acho que não. Ali era mais difícil de saber porque você tinha uma criança afirmando. Agora, o caso do avião. Se a Globo News não tivesse dado a notícia, outros veículos teriam dado? Como todo mundo noticiou a queda sem ninguém ter visto o avião cair? Eu acho que isso é o tipo de matéria própria dos nossos tempos, da velocidade impostas pelas novas tecnologias. É uma coisa muito diferente de um erro da imprensa.

 É você cair na reverberação da notícia…

 Exatamente. É a busca pela sensação. Eu tenho amigos que trabalham em TV e quando teve o buraco no metrô, alguns chegaram a entrar de três em três minutos com link ao vivo para contar o que estava acontecendo, mas não tinha acontecido nada em três minutos. Nesse mesmo caso apareceu um cara dizendo que era do Instituto Militar de Engenharia apontando várias falhas na obra que já eram conhecidas. Toda a imprensa noticiou mas esse cara não era do Instituto Militar de Engenharia. E por que saiu na imprensa? Porque jornalista é burro? Não, é porque tem essa pressão de ter que entrar daqui 5 minutos porque a história está dando audiência.

 Mas você acha que pode existir jornalismo sem essa pressão?

 Eu acho que sim. Acho que existe uma procura por informações de credibilidade. Talvez um caminho seja pelo conteúdo pago. Uma pessoa na plateia disse “Eu não tenho tempo de ler dez jornais, eu quero ler um que seja crível”. Talvez existam outras pessoas como ela dispostas a pagar por conteúdo de um veículo que tenha princípios que mostre como faz para chegar a informação que tenha um dogma igual ao que o cinema fez com termos como “não publicar antes de checar”. Por exemplo, eu acho que seria revolucionário se um site ao publicar uma reportagem porque tem que publicar, como a do avião, colocasse um aviso dizendo “matéria em processo de checagem”. Quando você vai ao aeroporto, você a lista de voôs confirmados e voôs não confirmados, qual é o problema de se admitir que não tem certeza? Eu acreditaria mais nesse veículo.

 Porque você guarda o segredo para o filme? Você não acha que se as pessoas soubessem da história elas não se interessariam mais pelo documentário?

 É, isso foi um dilema. Eu fiz várias sessões de teste. Esse filme teve outra montagem. Eu montei anunciando logo no começo que era um personagem, e ficou uma bosta, ficou óbvio, arrogante. Então eu resolvi inverter a montagem. O longa sustenta durante o tempo a história do Ari. E isso é cinematograficamente interessante pois cria um suspense para quem não sabe. Talvez não seja tão interessante para um documentário, mas é o preço que se paga.

(Source: synthorchestra.org)

todos os nomes de rené

Segundo álbum do produtor da vazão a todos seus anseios e monikers

O célebre dramaturgo Artaud dizia que por amor tentava destruir o teatro. Não se deve entender esta frase como um paradoxo, mas sim que somente uma contestação constante é capaz de renovar e manter viva a arte. Dada as devidas proporções, é o que René Pawlowitz (discogs / myspace), um dos mais interessantes produtores de techno da atualidade, aparenta fazer com sua música. Desde “Red Planet Express”, o seu primeiro ep em 2003, suas produções são de difícil classificação. Exorcisando o passado e o techno de detroit, adicionando elementos de breakbeat, utilizando a ambientação do dub, Pawlowitz busca pelo groove no asséptico terreno do techno.

Shed - Tight [Red lanet Express EP]

René, de 35 anos, é funcionário da bacanuda loja de discos de vinil fundada pelo Mark Ernestus (Basic Channel / Rhythm & Sound) Hard Wax (site / twitter), o que explica sua atração pelo dub e seu podcast com músicas de Reggae para o Wax Treatment - festa mensal da Hard Wax. Ele é natural de Frankfurt, mas teve sua formação musical no hardcore britânico. Nos anos 90, descobriu o som de Chicago e detroit e se fascionou pelo techno. Dono de um selo, um subselo e duas “white labels” - selo underground de distribuição limitada cujo vinil é estampado com um adesivo branco com a numeração de catálago - o DJ  atende por vários nomes: EQD (breakbeat/techno), WAX (dub-techno), STP (IDM/techno), Panamax Project (dubstep) e Shed (techno).

EQD - Untitled (EQD 001 B) [Equalized #002]

WAX - Untitled (WAX 20002 B) [No. 20002]

STP - The Fall (Original Mix) [The Fall EP]

The Panamax Project - Maximum Height [Maximum Height / Maximum Width]

Enquanto seu primeiro álbum era hermético, redondo, com músicas bem lapidadas e tinha uma estrutura de álbum - como ideia, como começo, meio e fim - evidente, ‘The Traveller’ que sai pela Ostgut Ton dia 30 é mais aberto, com arestas soltas, reunindo as influências de todos seus monikers e questionando o próprio formato antes enaltecido. Portanto não espere um álbum do Shed, mas sim uma coletânea de sons de René Pawlowitz e todos os seus nomes. Apesar desse aparente pouco caso com a obra, ‘The Traveller’ não decepciona e traz belos momentos.

‘STP2’ é uma clássica faixa introdutória sem nada de especial. Atmosférica, como manda o figurino, sua presença em um disco que despreza o conceito formal de álbum é inusitada. ‘Keep Time’ reforça essa ideia de não-álbum com uma música que não se desenvolve, apenas apresenta variações de uma mesma batida lembrando o disco do Marcel Dettmann lançado este ano - colega de René na Ostgut Ton, eles já lançaram um EP juntos sob a alcunha de Deuce. ‘The Bot’ é regida pelo dub-techno, mas ao contrário do WAX que tem um som feito para pista, tem batidas por demais espaçadas deixando o ouvinte na iminência da dança.

Shed - Keep Time

‘Atmo - Action’ é o bom e velho Shed que pega o techno de detroit e troca os resquícios de house por elementos de breakbeat e dub para gerar seu groove característico. O único pecado da faixa é a sua curta duração. ‘44A (Hardwax Forever!)’ é dos melhores momentos do disco. Começa leve e iluminada por sinos e ganha uma base dub contrastando com a leveza inicial. ‘Mayday’ faz par com ‘44A (Hardwax Forever!)’ continuando com a leveza, só que agora o dub dá espaço ao IDM.

Shed - Atmo - Action

Shed - 44A (Hardwax Forever!)

‘My R-Class’ é um acid-techno  mais interssante pela sua controversa existência do que pela sua qualidade musical, que nesse caso soa bem datada. Controversa porque o próprio René já afirmou algumas vezes que o techno mais pesado é tedioso e o que lhe interessa são bpms mais baixos. Mas apesar do que diz, algumas de suas produções sempre flertaram com bpms altos, o álbum anterior tinha ‘That’s Beat Everthing’ que é um hard-techno puro sangue e no ano passado seu live no Sónar foi bem pesado.  Essa relação conturbada é uma das melhores características de suas músicas, que embora tenha algumas escolhas de gosto duvidoso, cria músicas que hipnotizam pela sua beleza.

‘Hello Bleep!’  com sua batida frenética que lembra um a bola quicando, passaria despercebida como uma música do Aphex twin se não fosse sua base melódica. ‘Leave Things’ dilui a batida frenética da faixa anterior em uma melodia redentora. Com músicas mais curtas que o usual que fazem mais sentido aos pares do que no contexto geral, The Traveller parece quastionar o conceito de álbum. Mas isto fica apenas como uma questão marginal e não ofusca o brilho da obra.

Shed - Hello Bleep!

Shed - Leave Things

(Source: synthorchestra.org)

the love life of the octopus

the love life of the octopus

(Source: http)

google, o sonho acabou?

Nessa semana que passou saíram duas notícias nada animadoras sobre o futuro da Google e, por consequência, o rumo que a internet pode tomar: O fim do Google Wave e o suposto acordo entra a Google e a Verizon. O Google Wave, apesar de vários blogs e sites de notícias dizerem, nunca foi nem pretendeu ser uma rede social. O Wave era uma plataforma colaborativa com vários usos potenciais. Esperar do Wave um sucesso estrondoso é como a Microsoft esperar que o Excel faça tanto sucesso quanto o MSN. Quantas pessoas realmente precisam do Wave? A Google não imaginou isso (o que é improvável) ou o fim da plataforma colaborativa tem outros motivos além do seu fracasso de público?

A Google sempre foi uma empresa transparente, e tem um texto que ficou famoso há alguns anos atrás conhecido como “As dez verdades da Google“. A segunda verdade diz que é melhor fazer uma coisa, desde que bem feita. O Wave era mal feito (partindo do pressuposto que estive pronto) ou o foco da empresa é outro? A Google sempre foi indiscutivelmente soberana em buscas, porém a forma como as pessoas buscam por conteúdo, ou melhor são levadas (independente de estarem realmente em busca ou não) à determinado conteúdo tem mudado. Se antes um usuário sempre partia de um site de busca, hoje ele parte de um tuíte, de um post no Facebook.

O problema se agrava se você levar em conta o chamado “efeito de rede” em que o valor, e a qualidade, de um serviço na internet varia de maneira intrínseca com a quantidade de usuários que usam serviço. Embora ninguém leia a Revista Cult, ela tem seu valor simbólico. Isso não acontece na internet. A Google precisa de um uso massivo para que seus algorítimos tragam os resultados mais relevantes. E quando uma rede social que tem mais de meio bilhão de pessoas começa a virar um meio de transmitir e encontrar conteúdo, isso não afeta apenas o Orkut, isso afeta a busca da Google. Nada mais esperado então que a Google corra atrás do prejuízo. A questão é até onde la está disposta a ir?

Recentemente saíram boatos sobre o “Google Me”, suposta rede social que viria para desbancar o Facebook. A Google também investiu milhões na Zynga e comprou a Slide, empresas de jogos para redes sociais. Até aí tudo bem, nada que faça a empresa ser “má” como diz a sexta verdade da Google. Mas o problema é que não é só isso. A Google planeja ter um sistema de mircropagamentos para publicações online. Justo a empresa que sempre lutou por conteúdo livre subsidiado por publicidade e que teve um embate ano passado com o dono da News Corp – conglomerado de mídia que inclui “The Times e “Wall Street Journal” – Rupert Murdoch, resolve agora, ela mesma criar uma plataforma universal para micropagamentos.

Outra notícia foi esse nebuloso acordo com a Verizon que pode ferir o que se chama de neutralidade da rede. Eric Schmidt, CEO da empresa, desmentiu as acusações sobre o acordo mas disse que é preciso definir melhor o conceito de neutralidade de rede. A empresa já tinha tocado no assunto no mês passado em seu blog. A empresa tem argumentos válidos como quando diz que manter seu algorítimo de busca em segredo faz com que os resultados não possam ser manipulados. De fato, até agora, a empresa seguiu coerente a seus prinípios, mas cada vez mais suas atitudes começam a ser questionáveis. Isso é inevitável, visto o tamanho e poder da empresa, mas é inevitável também constatar que está cada vez mais difícil cumprir o que diz a sua sexta verdade e não ser má.

(Source: synthorchestra.org)